Oráculo Literário

Blog do Grupo Editorial Pensamento

  • A 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo chegou ao fim no último domingo (13), depois de dez dias efervescentes de programação no Distrito Anhembi. O evento bateu o recorde histórico de público, com mais de 750 mil visitantes.

    O Grupo Editorial Pensamento marcou presença, promovendo a interação dos leitores com o espaço, encontros com autores e um faturamento expressivo em vendas. Os visitantes puderam tirar fotos com o Bienaldo – o gatinho mascote da editora –, “saltar do telhado” como uma bruxa Owens, da saga Da Magia à Sedução, escrever um feitiço no Magígrafo, inspirado em Sangue sobre Bright Heaven, ou tentar a sorte ao fazer uma pergunta ao Baralho Cigano, de André Mantovanni, na roleta.

     

    Autores presentes

    A Bienal do Livro é um evento que prestigia o encontro entre autores, principalmente os nacionais, e sua base de leitores. No estande da Pensamento, não foi diferente: 

    Gustavo Rosseb encantou os jovens leitores ao apresentar sua trilogia fantástica: As Aventuras de Tibor Lobato. Os três livros são uma narrativa viciante que explora o folclore brasileiro de forma criativa e divertida, falando sobre temas como família, medo, amizade e amor de uma maneira nunca vista antes.

    Já na quarta-feira, dia 9, foi a vez do autor Paulo Stucchi marcar presença em nosso estande com uma sessão de autógrafos de seu último livro, A dança da serpente, e de seus outros títulos: O homem da Patagônia e A filha do Reich.

    André Mantovanni, um dos autores best da casa, lotou o espaço na sessão de autógrafos de seus diversos livros. No domingo, 13, participou da mesa ‘Previsões para o Futuro – Seus Desejos Podem se Realizar’ a convite do Mercado Livre, com mediação de Victor Degasperi. Com 10 obras no catálogo do grupo editorial, as versões pocket e tradicional do Baralho Cigano, assim como o Baralho Cigano da Prosperidade, figuraram na lista de mais vendidos da editora ao longo da Bienal.

    Ainda no domingo, a autora do selo Cultrix, Jaqueline Pereira, participou de uma mesa no Espaço Bem-Estar, dedicada ao tema ‘Não existe felicidade sem verdade’. No evento, ela divulgou seu primeiro livro A Coragem de Ser Gente de Verdade, em que compartilha seu próprio despertar e ensina o passo a passo para se libertar do medo do julgamento alheio.

  • Imagine uma cidade pacata, de cenários bucólicos, casas abastadas… e um assassinato que perturba a tranquilidade de uma região até então sem acontecimentos incômodos. Apesar do crime, o cenário permanece confortável: sem cenas de violência gráfica, nem descrições sombrias ou explícitas e angustiantes. É assim que nasce um cozy mystery.

    Também chamado de cozy crime, o gênero combina os elementos clássicos das histórias de investigação com cenários reconfortantes, personagens carismáticos e uma atmosfera bem-humorada. O crime pode ser tenso, mas a experiência de leitura não é apreensiva, mas divertida.

    O que é cozy mystery?

    O cozy mystery é um subgênero da ficção policial em que o mistério e a resolução do crime estão no centro da narrativa, mas a violência não é apresentada de forma gráfica. Em vez de acompanhar autópsias detalhadas, perseguições perigosas e investigadores envolvidos em ambientes extremamente violentos, o leitor é convidado a juntar pistas e tentar descobrir quem é o culpado no melhor estilo whodunit, popularizado por autores como Agatha Christie. 

    Os cenários se tornaram clássicos: cidades pequenas, vilarejos ou grandes casas centenárias pertencentes à uma grande família. É comum também que cada livro de uma série apresente um novo mistério enquanto mantém os mesmos personagens e o universo pelo qual o leitor já criou apego – como Hercule Poirot, Miss Marple ou Sherlock Holmes.

    Uma característica marcante desses livros é a presença de um detetive amador, que vai se desenvolvendo no ofício da investigação enquanto a obra se desenrola. Um detetive experiente é sempre chamado para investigar o caso e acaba acompanhado por algum cidadão local disposto a ajudar. 

    Este é o caso de “A maior detetive do mundo e sua assistente mais ou menos”, cozy mystery de Liza Tully lançado pela Editora Jangada. Quando uma senhora abastada é assassinada, a excêntrica detetive Aubrey Merritt assume a investigação e leva consigo sua nova assistente, Olivia Blunt, que talvez ainda não seja a investigadora mais sagaz que existe…

    De onde surgiu o gênero cozy mystery?

    Embora o termo cozy mystery tenha se firmado no final do século XX, suas raízes estão na chamada Era de Ouro da ficção policial, que se deu especialmente entre as décadas de 1920 e 1930.

    É nesse período que encontramos alguns dos maiores nomes da literatura de mistério, como Agatha Christie, Dorothy L. Sayers e outros autores que ajudaram a popularizar histórias construídas como grandes quebra-cabeças.

    Agatha Christie é particularmente associada às origens do gênero. Sua personagem Miss Marple, uma senhora aparentemente comum que utiliza sua capacidade de observação astuta para solucionar crimes, é uma das principais referências de detetive amadora.

    Quais são as principais características de um cozy mystery?

    Como em qualquer gênero da literatura, não existe uma receita pronta que precisa ser seguida, porém alguns elementos aparecem com frequência e são o tempero que dá o sabor dos mistérios aconchegantes. 

    • Pistas, suspeitos e indícios falsos

    Um cozy mystery normalmente conta com um formato de “quebra-cabeça”: o leitor recebe pistas ao longo da narrativa e, ao juntá-las, pode solucionar o caso antes mesmo do protagonista (mas precisa ter habilidade e sagacidade!).

    Pistas falsas, ou que induzem à conclusões erradas, são propositalmente inseridas pelos autores e já se tornaram elementos comuns nos mistérios aconchegantes. Afinal, para ser um romance bem-sucedido, o mistério precisa ser mantido ao máximo! 

    • Pouca violência gráfica

    Assassinatos, desaparecimentos e sequestros norteiam as narrativas, porém é de praxe evitar descrições gráficas de violência, muito sangue e sofrimento. Em diversos casos, o crime acontece fora de cena e o leitor encontra apenas suas consequências e desdobramentos.

    Isso permite que pessoas que gostam de mistérios, mas preferem evitar conteúdos muito perturbadores, também possam aproveitar o gênero.

    • Humor e conforto

    Outro ingrediente importante é o tom mais leve, às vezes até “pastelão”. Mesmo quando existe um assassinato, a narrativa pode incluir situações engraçadas, personagens excêntricos, romances, amizades, animais de estimação e atividades cotidianas.

    É daí que vem boa parte da sensação de conforto associada ao gênero: existe perigo, mas o universo narrativo costuma oferecer ao leitor uma espécie de porto seguro.

    A maior detetive do mundo e sua assistente mais ou menos

    Com todos os ingredientes de um bom mistério aconchegante, o lançamento da Editora Jangada, A maior detetive do mundo e sua assistente mais ou menos, de Liza Tully, promete conquistar os leitores do gênero. 

    Neste cozy mystery contemporâneo você conhece Olivia Blunt – uma detetive amadora que acredita ter encontrado o emprego dos sonhos ao ser contratada pela ilustre Aubrey Merritt. Porém, trabalhar ao lado de uma chefe excêntrica e impossível de agradar é o desafio mais básico em sua jornada. Quando a morte de uma senhora rica – que parece suicídio – coloca as duas no meio de uma investigação cheia de segredos, suspeitos excêntricos e reviravoltas, fica difícil não querer descobrir onde essa história vai dar.

    A autora 

    Liza Tully é um dos pseudônimos de Elisabeth Brink, autora americana perita em mistérios e suspenses. Sob a alcunha de Elisabeth Elo, a autora também escreve thrillers densos em estilo hard-boiled, mais violentos e em cenários hostis. Brink possui ainda um terceiro pseudônimo, Elisabeth Panttaja Brink, para ficções literárias que não envolvem crimes!